23/05/2012

Prémio-coração

A Anita lembrou-se de mim quando lhe chegou um coração alemão, o que me deixa enternecido. O meu coração não é de betão, e tive de responder (até por medo da maldição). Mas prefiro o coração de Viana, obra de artesão.

Quanto às cinco coisas sobre mim, vou fazer por associação livre.
  • Tenho duas mãos e dois pés, que me dão imenso jeito, mesmo quando um dos pés está inchado.
  • Gosto de pardais — e até já partilhei um almoço com um. Acabámos ao mesmo tempo, mas ele comeu menos que eu.
  • Durmo com muito gosto e alguma competência.
  • Gosto muito de pastéis, doces e salgados. Em miúdo preferia os de cerveja aos de Belém, agora sei que não me devo meter a comparar obras de arte pasteleira.
  • Gosto do verde, embora não tenha nenhuns sapatos verdes. Mas já tive.
Quanto a passar a bola: qualquer dos meus 4.2 leitores com blogues está convidado a continuar esta cadeia. E podem fazê-lo ou não. Façam o que fizerem, leio-vos de coração.

21/05/2012

Convivio

No terceiro jantar da minha turma de 10º-11º apareceu, finalmente, o nosso professor de filosofia. Ele tinha na altura 25 anos apenas, e viemos a saber que fomos as suas cobaias, a primeira turma que teve. Ele sempre teve uma postura mais próxima e familiar do que os outros professores, a ponto de o convidarmos para o jantar de fim de ano. Aliás, uma conversa que tive com ele nessa ocasião influenciou a minha escolha de curso.

Calhou ficar sentado ao pé dele no jantar, e conversámos muito — especialmente sobre filosofia e ensino. Depois de chegarmos a casa, trocámos alguns livros por email. Ele falou-me também de Michael Sandel, professor de filosofia em Harvard, cujo curso de "Justiça" enche anfiteatros (de alunos atentos e silenciosos...). Diz a wikipedia que ele terá sido a inspiração para o Mr Burns dos Simpsons (sendo, talvez, ideologicamente o seu oposto), o que foi negado pelos argumentistas.


E a electrónica não traz só vantagens no que diz respeito à leitura: as suas aulas estão disponíveis online!

18/05/2012

Dia do Estudante, 1962

17/05/2012

Espiga

Se os passarinhos soubessem
quando é o dia da Ascenção,
não comiam, nem bebiam,
nem punham o pé no chão.

14/05/2012

Porque é que tens olhos tão grandes?

Há tempos, havia a Heather Graham.

Mais recentemente, veio a Amanda Seyfried.

Agora, numa série americana que estreou o mês passado, apareceu a Krysten Ritter.

E neste último filme do Tim Burton apareceu a Bella Heathcote, que me pôs a pensar em fazer este post.

12/05/2012

Outros tempos

10/05/2012

Ferrugem e verdura



09/05/2012

Numerologia 101

O assunto da numerologia apareceu em conversa com a Anita, que achou as minhas contas rebuscadas. Ora, calha que dei nos dois últimos anos uma cadeira de história dos números, e há uma aula em que falo de dois casos de uso de numerologia por matemáticos dignos desse nome — tal como a astrologia e a astronomia estiveram misturadas durante muito tempo (sendo até a primeira a motivação para a segunda), também houve gente de teoria de números que se dedicou às artes ocultas.

Aqui vão então as contas. Estávamos no tempo da reforma e contra-reforma cristãs, e havia de cada lado gente que se dedicava a "demonstrar" que quem estava do outro lado era o anticristo, simbolizado pelo famoso 666. Do lado protestante, Michael Stifel construiu uma demonstração de que o papa Leão X era o anticristo. Escreve-se o nome do dito papa em latim, obtendo-se "LEO DECIMVS". Deitam-se fora as letras que não têm significado numérico em numeração romana, ficando com "LDCIMV". A letra M é retirada, pois significa "mistério" e acrescenta-se X, que é o número de letras do nome, obtendo-se… DCLXVI=666.

A resposta do lado católico veio por Peter Bungus. Tal como nós fizemos em crianças, Bungus deu a cada letra do alfabeto um valor numérico: a=1, b=2, … i,j=9, k=10, l=20, m=30, … s=90, t=100, u,v=200, … z=600. Escrevendo então o nome de Lutero como "Martin Lutera", e somando os valores das letras, obtém-se (pasmai)… 666.

Já agora: o 666 original, que aparece no Apocalipse de S João, pode ser obtido somando os valores numéricos das letras do nome "Cesar Neron", o grande perseguidor dos cristãos (o próprio texto diz que é o número de um homem). Um código, talvez inspirado na Gematria, para que a mensagem não ficasse demasiado clara num tempo em que era preciso ser discreto, se se era cristão.

06/05/2012

Chgo 2012 (vii)

Como já referi aqui, uma das coisas maravilhosas em Chicago é a sua arquitectura. E um dos cruzamentos mais espectaculares, em termos de arquitectura, é o das ruas Jackson e Dearborn, onde se encontram dois edifícios muito especiais: o Monadnock e um dos edifícios da Federal Plaza, de Mies Van der Rohe, junto do Flamingo de Calder.

O Monadnock foi um dos últimos e heróicos esforços de uma tecnologia que terminou com ele, no fim do século XIX: é um arranha-céus em que o peso é suportado pelas paredes de pedra e tijolo. Neste edifício, as paredes têm mais de um metro de espessura na base, para suportar os seus 16 andares, e vão-se tornando mais finas com a altura (como se percebe na imagem). O design da parte norte, criticado na altura da construção, viria a prenunciar o modernismo do século XX: formas simples, escorreitas, sem muita decoração. Neste momento, depois de um cuidado esforço de renovação, o interior do edifício mantém a atmosfera dos fins do século XIX: há lojas de alfaiates, chapeleiros, engraxadores e outro tipo de comércios antigos instalados no rés-do-chão, que é iluminado por lâmpadas incandescentes de pequena potência e filamentos especiais, finos e amarelados. Aqui está um pequeno filme sobre o edifício.

E por falar em modernismo, atravessando a rua, temos um dos exemplos mais espectaculares deste estilo, seguindo a divisa "Less is More", de Mies van der Rohe: o Federal Center, inaugurado em 1974, com três edifícios pretos, com janelas rectangulares com proporções bem pensadas, que se repetem quase até ao infinito, quando se olha de perto. Estes edifícios são suportados por uma estrutura de aço e cimento, o que lhes permite alcançar uma altura impensável para a técnica anterior. No meio da praça uma escultura igualmente notável: o Flamingo de Calder, de cor vermelha e formas curvas que contrastam fortemente com o preto impassível dos edifícios. Aqui se pode ver mais um pequeno filme.

Quem queira saber mais sobre a arquitectura de Chicago, pode perder aqui algum tempo.

29/04/2012

Chgo 2012 (vi)

Um dos emblemas de Chicago são os blues. Quando cá vivi, conheci dois pianistas, um que é uma lenda viva do boogie-woogie, Erwin Helfer, e um dos seus alunos, Ken Shiokawa. O segundo, arquitecto de profissão, tem pouco tempo para espectáculos, de modo que toca cerca de uma vez por semana num café. Quanto ao Erwin, certamente por causa da idade, só toca uma vez por mês, e logo calhou numa altura do mês em que eu não estava cá.

Tive, porém, a supresa de verificar a cidade de Chicago não esqueceu esta celebridade local: deu o nome do Erwin ao pedaço da Av. Magnolia onde ele mora!


Como se não bastasse isso como surpresa, vim a descobrir (graças a essa coscuvilheira que é o google) que ele também dirige um grupo de meditação budista em casa dele. Talk about the melting pot.

Deixo-vos com uma das preferidas, gravada em casa dele, "Pinetop's Boogie".